“Pernambuco na Década dos Afrodescendentes: Reconhecimento, Justiça, Desenvolvimento e Igualdade de Direitos”. Esse foi o tema da 4º Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, que ocorreu durante toda esta terça-feira (07), na área externa do Museu Joaquim Nabuco, em Massangana.

O Museu foi escolhido para o debate pela história do local, e fez com que os presentes, principalmente os negros e negras, revivessem momentos de luta que seus antepassados viveram ali. O prefeito Lula Cabral, disse estar privilegiado em ter realizado um evento como esse na terra de Joaquim Nabuco. “Esse lugar é um Patrimônio Histórico. Aqui, se encontra a história de Pernambuco e do Brasil. Não teria lugar melhor para se discutir sobre igualdade racial”, comentou ele.

Na oportunidade, o presidente da palestra, Heráclito Chagas, destacou sobre a luta contra a intolerância e todo tipo de preconceito. Ele frisou que o governo municipal tem o compromisso com o controle social e entende a necessidade do nosso povo com um olhar diferenciado.

A palestra ficou sob a direção de “Mãe Elza de Iemanjá”, que também é presidenta do Conselho Estadual de Igualdade Racial e da Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial. Apesar da grande desigualdade universal, a palestrante parabenizou a gestão por destacar o assunto. “ É importante trazer à reflexão o quanto os afrodescendentes lutaram para que o Brasil fosse uma terra que pudesse viver com mais dignidade”, ressaltou Mãe Elza. Ela também reconheceu a importância histórica do município. “O Engenho Massangana faz parte do legado ancestral. É aqui que se mantém vivas as raízes de um povo. Continuaremos lutando pela igualdade”, completou ela.

Quem conhece bem a história de seus antepassados é Maria José de Fátima, líder da Comunidade Quilombola Onze Negras. Sua bisavó viveu por muitos anos no Engenho, que atualmente é o Museu. Para ela, a localidade vai ficar marcada para sempre. “A libertação dos negros da senzala, sua origem e significado fala muito o que nós somos. Minha bisavó passou por aqui, e desde pequena, ouvi muitos relatos a respeito”, afirmou. “É muito mágico reviver a nossa cultura e luta, e hoje, no mesmo lugar, discutindo políticas públicas para nós, negros”, acrescentou ela.

Durante o evento, a líder da comunidade Onze Negras também recebeu das mãos da secretária de Programas Sociais, Edna Gomes, uma homenagem a Maria Conceição Marques, a Ceça quilombola, que era sua irmã e faleceu este ano. “Perdi uma grande amiga de luta, guerreira. Mesmo doente, não deixava de querer saber as informações sobre o andamento das reuniões. Ela foi uma pessoa que se doou pela causa quilombola”, explicou Maria José de Fátima.

Para Edna Gomes o lugar da Conferência tem um significado de luta e histórias. “Para onde olharmos, imaginamos o que aconteceu aqui”, disse. “Joaquim Nabuco foi um lutador abolicionista, depois que viu perto as aflições de um povo que não merecia sofrer”, completou ela. A secretária ainda reforçou que a mensagem precisa ser levada adiante. “Com muita luta, reativamos o Conselho da Igualdade Racial em nossa cidade”, destacou. “É preciso respeitar a religião do outro, vivendo uma cultura de paz e respeitando aqueles que convivem conosco”, finalizou Edna Gomes.

No local, também estavam presentes, os secretários de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Moshe Caminha, Governo, Paulo Farias e a secretária de Educação, Sueli Nunes.

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Texto: Ákila Soares – Secom/Cabo
Áudio: Uanderson Melo
Foto: Léo Domingos