As mulheres da Comunidade Quilombola Onze Negras, localizado no Engenho Trapiche, participaram durante esta quinta-feira (09/11) do Seminário de Mulheres Negras, alusivo ao Dia da Consciência Negra. O prefeito Lula Cabral, autoridades municipais e do Estado estiveram presentes, além de representantes do Ministério Público de Pernambuco.

Com o tema “Mulheres Negras e As Violações de Direitos: Mães Quilombolas e o Extermínio da Juventude Negra”, o evento teve por objetivo discutir sobre os direitos das mulheres negras, ressaltando   questões  como a violência e o grande número de jovens negros que perdem suas vidas. O público apreciou apresentações culturais locais e um recital de poesias que está inserido no livro Clamor Negro, falando sobre a desigualdade racial.

A líder da Comunidade, Maria José de Fátima, que também é membro do Comitê de Mulheres Negras Metropolitanas, ressaltou a importância da discussão dessas políticas. “Tivemos muitas conquistas ao longo desse tempo. Se hoje estamos aqui é porque houve uma luta dos nossos antepassados para que isso acontecesse. O debate é para a melhoria crescente do nosso povo”.

O prefeito Lula Cabral assegurou seu compromisso com o grupo. “Para mim é uma honra estar com esse povo tão guerreiro, lutadores por seus direitos. Nós, como governo, estamos de mãos dadas com essas lideranças pela melhoria dessa comunidade tão importante para o nosso município”.

Edna Gomes, secretária de Programas Sociais, destacou a luta dos negros, sobretudo das mulheres. “A discriminação com as mulheres negras não é de hoje. Isso vem de uma sociedade patriarcal que ainda é muito forte, onde os negros só serviam para serem usados. E infelizmente, em plena modernidade que vivemos, existem pessoas que têm esse olhar e isso não pode ser aceito. É preciso lutar pelos direitos”, enfatizou Edna.

As propostas que foram apresentadas serão levadas pelo Comitê para a Conferência Estadual de Igualdade Racial.

SAIBA MAIS – A comunidade Onze Negras fica situada a 35 quilômetros do Recife, no município de Cabo de Santo Agostinho, nas terras do Engenho Trapiche. O início aconteceu em meados de 1940, com a formação de uma pequena comunidade composta por negros remanescentes da escravidão no munícipio. Nessa mesma época, famílias migravam para o Cabo com a intenção de trabalhar nas usinas de cana-de-açúcar. Três grandes famílias foram originadas e seguiram morando no Engenho Trapiche, comprando as terras posteriormente e iniciando as construções de algumas casas. Ao longo dos anos, a comunidade recebeu vários nomes: Burrama, Pista Preta e, por fim, Onze Negras. Do grupo pioneiro que fundou a associação de moradores, quatro mulheres já faleceram, sendo substituídas por outras, sempre com a intenção de manter o trabalho coletivo em prol da comunidade. No Brasil, existem atualmente, 207 comunidades quilombolas tituladas e certificadas. E mais de duas mil, que são apenas certificadas.

Texto: Ákila Soares – Secom/Cabo
Foto: Léo Domingos